O que aconteceu com as mulheres na ciência da computação?

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Source: National Science Foundation, American Bar Association, American Association of Medical Colleges Créditos: Quoctrung Bui/NPR

Publicado no NPR

A ciência da computação moderna é dominada por homens, mas nem sempre foi assim.

Uma boa parte dos(as) pioneiros(as) em computação — pessoas que programaram os primeiros computadores digitais — eram mulheres. Por décadas, o número de mulheres estudando ciência da computação estava crescendo mais rápido do que o número de homens. Mas em 1984 — ano de lançamento do primeiro Macintosh — algo mudou, o percentual de mulheres em ciência da computação se estabilizou e depois declinou consideravelmente mesmo que o percentual de mulheres em outras áreas técnicas e profissionais continuou subindo.

O que aconteceu?

Passamos as últimas semanas tentando responder esta pergunta e não conseguimos nenhuma resposta clara e única.

Mas aqui está um bom ponto de partida: a participação de mulheres na ciência da computação começou a cair praticamente no mesmo momento em que os computadores pessoais começaram a aparecer nos lares norte-americanos em números significativos.

Estes primitivos computadores pessoais não eram muito mais do que brinquedos. Você podia jogar simples jogos de ping-pong ou jogos de tiro, quem sabe fazer algumas edições de texto. E estes brinquedos foram comercializados quase que inteiramente voltado aos homens e meninos.

Esta ideia de que os computadores são para meninos se tornou um marco. Tornou-se uma história que que nós contamos a nós mesmos sobre a revolução da computação. Isso ajudou a definir quem eram os geeks e criou a cultura tech.

Filmes como Weird Science (Mulher nota 1000 ou Que Loucura de Mulher), A Vingança dos Nerds ou Jogos de Guerra apareceram todos nos anos 80. E os resumos dos enredos são bem parecidos: um menino geek estranho e gênio usa seus conhecimentos em tecnologia para vencer suas adversidades e conquistar a garota.

Na década de 90, a pesquisadora Jane Margolis entrevistou centenas de estudantes de ciência da computação na Universidade Carnegie Mellon, que tem uma das melhores grades curriculares do país. Ela descobriu que as famílias eram muito mais propensas a comprar computadores para os meninos do que para as meninas — mesmo quando elas estavam bastante interessadas em computadores.

Isto foi muito significante quando estes jovens entraram pra faculdade. Quanto mais os computadores pessoais se tornavam mais comuns, mais os professores de ciência da computação assumiam que seus alunos haviam crescido operando computadores em casa.

Patricia Ordóñez não tinha computador em casa, mas ela era um gênio da matemática na escola.

“Minha professora percebeu que eu era muito boa em resolver problemas, então ela colocou eu e um outro rapaz para fazer matemática especial”, ela disse. “Nós fazíamos matemática em vez de intervalo”.

Então, quando Ordóñez entrou para Universidade Johns Hopkins, nos anos 80, ela imaginou que iria estudar ciência da computação ou engenharia elétrica. Em seguida, ela teve sua primeira aula introdutória e descobriu que a maioria de seus colegas do sexo masculino estavam muito à frente dela porque tinham crescido operando computadores.

“Lembro de uma vez que eu fiz uma pergunta e o professor parou e olhou para mim e disse: ‘Você já devia saber isso'”, ela lembra. “E eu pensei ‘Eu nunca vou me destacar’”.

Nos anos 70, isso jamais teria acontecido, pois os professores das aulas introdutórias assumiam que seus alunos tinham entrado com sem qualquer experiência, mas nos anos 80 isso tinha mudado.

Ordóñez se dedicou na aula, mas ganhou o primeiro C de sua vida. Então, por fim, ela abandonou a grade e se formou em Línguas Estrangeiras.

Mais de uma década depois, porém, ela retornou para os computadores. Ela encontrou um orientador e, finalmente, se tornou Ph.D. em Ciência da Computação. Agora ela é professora assistente de ciência da computação na Universidade de Porto Rico.

A história de Ordóñez e os dados nos mostram que, apesar de sabermos que não é tudo que é construído socialmente, não podemos negar a influência social que, como consequência, acabou desestimulando o interesse por acadêmicas na área de ciência da computação, assim como formou-se um esteriótipo social da cultura tech, como já dito no artigo.

Artigos complementares:
Um diálogo sobre o preconceito de gênero no meio acadêmico
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O pensamento binário é realmente perigoso? Uma crítica à teoria de gênero

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12 Comentários em "O que aconteceu com as mulheres na ciência da computação?"

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Silvio
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Não creio que houve esse tal condicionamento da atividade para homens. O que ocorreu foi que a área cresceu rapidamente, se fornou crítica para as empresas, foi intensamente diversificada (sistemas, infraestrutura, segurança, convergência…) e passou a exigir padrão de dedicação (tempo) historicamente mais aceito por homens.
Tenho alguns exemplos de colegas (mulheres) que trabalhavam em áreaa de sistemas em bancos que resolveram largar e fazer concurso público para evitar serem acionadas durante as madrugadas ou ter que trabalhar em finais de semana, visto que priorizavam a família e filhos pequenos. Isso é normal na história.

Silvio
Visitante

Tem um erro de concordância no início do texto: “a participação de mulheres na ciência da computação começaram…”

A conjugação correta para o verbo é “começou”, pois ele se refere a “participação” e não a “mulheres”.

Edenilson
Visitante

A publicação é muito fraca para um Site com este título de RACIONALISTA. NÃO TEM DADOS. O texto não passa de uma percepção do autor. Muito fraco.

Arthur
Visitante

Fraca é a sua leitura. A pesquisa que deu origem ao artigo está hiperlinkado, assim como outros dados. Volte duas casas e leia novamente

Luiz Fernando
Visitante
Computadores pessoais datam do início da década de 70, com o Altair 8800 em 74 e o Apple I em 76, embora como fenômenos de consumo de massa tenha se estabelecido na década de 80. O comercial citado (https://www.youtube.com/watch?v=rxNjx_VWJ8U) produz fraca evidência de que os computadores fossem anunciados como coisas para “meninos”. Na mencionada peça publicitária (1985) podemos ver que o PC já estava integrado à sociedade há bom tempo. Há uma sala de aula compartilhada por meninas e meninos que faziam uso do equipamento. Não esquecer também o fato de que em comerciais com um ator humano, esse ator… Read more »
Gabriel Borderes
Visitante

Resposta mais óbvia do que o condicionamento social e que poderia causar esse condicionamento é simplesmente a valorização da área. Os homens sempre dominaram áreas mais rentáveis historicamente. Pense, a partir do momento que o computador começou a popularizar e estar nas casas das pessoas isso da impacto nas futuras gerações e não imediato quanto a construto social, no entanto na economia o impacto é direto e instantâneo. Mais importante de tudo porque não pede ajuda das mulheres pra responder questões como essa. Pesquisas são feitas e até congressos para discutir o assunto. Fica a dica.

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