A genética materna pode influenciar na orientação sexual

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Por Michael Hopkin
Publicado na Nature

For Historical Knowlodge
12 de outubro de 2004

Uma pesquisa realizada com homens na Itália provou que a homossexualidade pode ser parcialmente influenciada pela genética. Os mesmos genes que são propostos para predispor à homossexualidade podem também aumentar a reprodução nas mulheres, resolvendo o paradoxo aparente de por que esses genes não foram removidos pela seleção natural.

Ao interrogar cerca de 200 homens de diferentes orientações sexuais, os pesquisadores da Universidade de Pádua descobriram que os parentes maternos de homens homossexuais tendem a produzir mais descendentes do que os dos heterossexuais. Isso sugere que as mães e tias maternas de homossexuais têm uma vantagem genética – mas uma que reduz a reprodução quando é passada para a descendência masculina.

“Por muito tempo tem sido um paradoxo”, diz Andrea Camperio-Ciani, que liderou o estudo. “Mas descobrimos que pode existir um conjunto de genes que, nos homens, influencia à homossexualidade, mas nas mulheres aumenta a fecundidade”.

“Não sabemos o que esses genes podem ser, mas eles provavelmente estão espalhados por toda uma gama de diferentes cromossomos”, diz Camperio-Ciani. “Se o efeito fosse reduzido a um único gene, ele teria facilmente se espalhado por toda a população, e a homossexualidade seria presumivelmente muito mais comum”.

“Mas sejam quais forem os genes, o cromossomo X provavelmente está envolvido”, acrescenta. Os homens têm um cromossomo X e um cromossomo Y em oposição ao par de X’s das mulheres, portanto, o único cromossomo X de um homem é sempre herdado de sua mãe. Na pesquisa, a diferença de poder reprodutivo foi evidente apenas no lado materno da família.

Na Família

Os pesquisadores selecionaram homens homossexuais e heterossexuais de bares e clubes da Itália e pediram que preenchessem um questionário sobre suas árvores genealógicas. Além de ter mais mães e tias fecundas, os homens homossexuais tinham mais companheiros homossexuais na família materna, novamente sugerindo que a sua sexualidade é influenciada pelos genes de sua mãe.

Além disso, os homens homossexuais eram mais propensos a ter irmãos mais velhos – o que apoia uma outra teoria, que afirma que a homossexualidade está ligada a alterações no sistema imunológico da mãe durante gestações anteriores. Os resultados foram publicados na Proceedings of the Royal Society of London B.

“Em geral, cerca de 14% da variação entre homens homossexuais e heterossexuais é explicada pelo aumento da reprodução materna e cerca de 6% pela tendência de ter irmãos mais velhos”, diz Camperio-Ciani. Isso significa que, se a homossexualidade é influenciada pela genética ou no útero, o efeito é apenas um dos muitos fatores sociais e ambientais.

“Sabemos que explicamos apenas 20% do padrão”, diz Camperio-Ciani. “Os 80% restantes podem estar relacionados à formação sexual e experiências sociais durante os primeiros anos de vida, ou até mesmo na infância”, ele especula.

A cultura tem um papel a desempenhar na real e percebida abundância da homossexualidade. “A homossexualidade está presente em quase todas as culturas, mas muitas vezes não é relatada por causa de preconceito”, diz Camperio-Ciani.

Em conclusão, o estudo mostra que, embora não exista um “gene gay”, é possível que fatores genéticos possam influenciar na sexualidade. “Acreditamos que esse conjunto de genes influencia na expressão sexual, mas eles não o determinam”, afirma Camperio-Ciani.

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Graduando em Filosofia (2014) pela Universidade de Franca (UNIFRAN); estágio de iniciação científica em Microbiologia com enfoque em Astrobiologia (2016) pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP); estudante da disciplina de Filosofia da Mecânica Quântica de pós-graduação (2016) pela Universidade de São Paulo (USP); experiência na área de Divulgação Científica com enfoque em Ciências Planetárias (Astronomia e Astrobiologia) e em Ciências Cognitivas (Neurociência e Psicologia); fundador da Organização Universo Racionalista (UR); colaborador do Instituto Ética, Racionalidade e Futuro da Humanidade (IERFH); membro-estudante da Rede Brasileira de Astrobiologia (RBA). Tem interesse nas áreas de Astronomia, Astrobiologia, Biologia Evolutiva, Física, Filosofia da Ciência, História da Ciência, Microbiologia, Neurociência, Psicobiologia e Sociologia da Ciência. Abaixo, segue o endereço do currículo na plataforma Lattes.

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